Não existe um preço por metro quadrado para remodelar uma casa. Existe uma banda, e a distância entre o fundo e o topo dessa banda é enorme.

A mesma obra num T2 de oitenta metros pode custar sessenta mil euros ou cento e setenta mil, e a diferença não é o empreiteiro estar a exagerar. É o nível dos acabamentos, a idade do edifício, e sobretudo aquilo que o orçamento inclui e aquilo que não inclui, que é onde as contas costumam rebentar.

Esta ferramenta dá-lhe a banda, não o número. Serve para saber se um orçamento que recebeu está dentro do razoável, e para não entrar numa obra com metade do dinheiro que ela precisa.

Estimativa de custo de obra

Referências para a Grande Lisboa, 2026. Valores de execução, mão-de-obra e materiais.
O que faz a conta subir
Acima dos 30 anos recomenda-se margem para imprevistos
Obra
Casas de banho de raiz
Cozinha
Margem para imprevistos
Projecto de arquitectura e especialidades
Custo provável, do mínimo ao máximo

O que nunca está no orçamento e aparece sempre na conta

Esta é a parte útil desta página, mais do que a calculadora. As obras raramente derrapam por o empreiteiro cobrar mais do que disse. Derrapam por causa de tudo o que ninguém contou.

Os imprevistos, num edifício com mais de trinta anos. Recomenda-se uma margem de 10% a 15%, e não é conservadorismo. É canalização de chumbo que aparece quando se abre a parede, é uma instalação eléctrica que não tem terra, é uma laje que não está onde a planta diz, é uma infiltração do vizinho de cima que só se descobre com a parede aberta. Em Linda-a-Velha, em Carnaxide e em boa parte de Algés, com parque habitacional dos anos setenta e oitenta, isto não é uma hipótese, é uma probabilidade.

O projecto. Honorários de arquitectura e de especialidades andam entre 6% e 12% do valor da obra, e não estão nos orçamentos de execução. Numa remodelação ligeira podem não ser precisos; numa obra de raiz, com alteração de compartimentação ou de redes, são.

As taxas camarárias e os licenciamentos, quando a obra os exige. Variam por município e por tipo de intervenção.

Mobiliário solto e electrodomésticos. Esta é a que apanha mais gente. Um orçamento de cozinha "com mobiliário" costuma incluir os armários e a bancada, e não incluir o forno, a placa, o exaustor, a máquina de lavar loiça nem o frigorífico. São facilmente mais quatro a oito mil euros que ninguém pôs na folha.

Uma obra de cem mil euros num prédio dos anos setenta, com projecto e sem imprevistos na conta, é uma obra de cento e trinta mil que ainda não sabe que é.

De onde vêm estas bandas, e porque é que divergem tanto

Cruzei três referências públicas de 2026 e o resultado é interessante, porque não coincidem, e a razão de não coincidirem é ela própria informação útil.

Custo de remodelação por metro quadrado, referências de 2026Valores de execução, mão-de-obra e materiais. Não incluem projecto, taxas, mobiliário solto nem imprevistos.
ReferênciaÂmbito€/m²
Guia nacional de referêncialigeira300 – 600 €
Guia nacional de referênciaintermédia600 – 1.000 €
Guia nacional de referênciacompleta1.000 – 1.500 €
Orçamentos reais submetidos, Portugalmédia nacional1.150 € (800 – 1.500)
Referência Lisboaligeira600 – 800 €
Referência Lisboaintermédia800 – 1.200 €
Referência Lisboaprofunda1.200 – 1.600 €
Referência Lisboaprofunda premium1.600 – 2.200 €
Referência Lisboaedifício anterior a 19601.800 – 2.500 €

A leitura é esta. As médias nacionais são puxadas para baixo por obras em zonas onde a mão-de-obra custa metade e onde se remodela com acabamentos mais simples. Lisboa e a Área Metropolitana estão no topo da banda nacional e, na obra profunda, acima dela.

A referência dos orçamentos reais submetidos, com média de 1.150 euros por metro e intervalo entre 800 e 1.500, é a que me parece mais fiável das três, porque não é um guia escrito por alguém: é o que os profissionais efectivamente orçamentaram. E encaixa quase exactamente na banda intermédia de Lisboa.

Para Oeiras uso as bandas de Lisboa, e digo porquê em vez de o deixar implícito: é o mesmo mercado de mão-de-obra, os mesmos fornecedores e a mesma logística de estaleiro. Não conheço nenhum estudo que separe Oeiras de Lisboa nestes custos, e inventar um factor de correcção seria dar-lhe uma falsa precisão. Se algum leitor tiver orçamentos reais de obra em Oeiras e os quiser partilhar, agradeço, e a página melhora com isso.

Vale a pena fazer obra antes de vender?

É a pergunta que costuma vir a seguir a esta calculadora, e a resposta honesta é: quase nunca a obra grande, quase sempre a pequena.

Uma remodelação profunda raramente se recupera no preço de venda. O comprador que quer casa pronta paga mais, mas não paga cento e vinte mil euros a mais por uma obra de cento e vinte mil, e além disso escolheu acabamentos que não são os dele. Quem faz obra profunda para vender costuma estar a financiar o gosto do comprador seguinte.

O que se recupera quase sempre é o oposto: pintura integral em tom neutro, canalização e electricidade sem surpresas, uma casa de banho que não pareça de 1978, e a casa vazia e limpa. Custa alguns milhares e muda a percepção logo na primeira visita, que é onde o preço se decide.

Se a casa precisar mesmo de obra pesada, o caminho costuma ser outro: vender com o desconto correspondente, e vender ao comprador certo, que é o investidor ou o comprador que quer fazer à sua maneira. Esse comprador existe, e paga bem quando a casa é apresentada como o que é em vez de como o que não é.

Se estiver a fazer estas contas para decidir entre vender e não vender, a outra metade da conta está na ferramenta quanto me sobra na venda.

De onde vêm estes valores

Referências para Lisboa em 2026. Bandas por nível de intervenção, valores de execução (mão-de-obra e materiais), com exclusão expressa de honorários de arquitectura (6% a 12%), projectos de especialidades, taxas camarárias, mobiliário solto e electrodomésticos, e com recomendação de 10% a 15% de imprevistos em edifícios com mais de 30 anos.

Orçamentos reais submetidos em Portugal. Plataforma de intermediação de obras, valores actualizados a 10 de Junho de 2026, apurados sobre pedidos de orçamento reais de particulares e profissionais: média de 1.150 €/m², com intervalo entre 800 e 1.500 €/m².

Guia nacional de referência 2026. Bandas por nível de intervenção e por divisão, âmbito nacional, com nota de que Lisboa e Porto praticam valores superiores.

Casas de banho e cozinhas. Casa de banho completa entre 6.500 € e 14.000 € em gama corrente, acima de 18.000 € em gama alta. Cozinha só de obra entre 5.000 € e 10.000 €; obra mais mobiliário de gama intermédia entre 12.000 € e 22.000 €. Referências para Lisboa, 2026.

Aviso, e é importante

Isto é uma estimativa de referência, não um orçamento. Nenhum profissional pode orçamentar uma obra sem ver o imóvel, e a variável que mais pesa no preço final, o estado do que está por trás das paredes, é precisamente a que não se consegue estimar de longe.

Use este número para saber se um orçamento que recebeu está dentro do razoável, e para preparar o orçamento da sua vida. Não o use para fechar um negócio nem para prometer nada a ninguém.

Peça sempre três orçamentos, exija que digam por escrito o que está e o que não está incluído, e desconfie do mais barato tanto como do mais caro.

Valores em vigor à data indicada no topo da página. Rever em Janeiro de cada ano.

Leandro Martins
Consultor Imobiliário · KW Exclusive · AMI 21960

Se está a decidir entre fazer obra ou vender como está, essa é uma conta com dois lados e vale a pena fazer os dois: o custo da obra, e o que a casa vale em Oeiras com e sem ela, a valores de escritura.

Faço-lhe essa comparação sem compromisso. Muitas vezes a conclusão é não fazer obra nenhuma.