Oeiras vende a 4.802 €/m². O país vende a 3.263 €/m². Este relatório explica o que sustenta a diferença, e quanto ela vale para quem tem casa aqui.
Oeiras é o terceiro mercado mais caro da região e um dos três mais caros do país. Os números do primeiro semestre de 2026 mostram porquê, e mostram também que a procura que aqui está não depende do que acontece em Lisboa.
Começemos pelo que já se sabia. No 1º trimestre de 2026 Lisboa fechou num máximo histórico de 5.889 €/m², Cascais em 5.214 €/m² e Oeiras em 4.802 €/m². Quem acompanha a região não se surpreende com esta ordem.
O que me chamou a atenção foi o movimento em volta. Sintra valorizou 28,3% em doze meses, a Amadora 23,4%, a Moita 35,6%. Em 2024, os concelhos da coroa imediata de Lisboa estavam 42% a 51% abaixo da capital; hoje estão entre 39% e 43%. Oeiras e Cascais continuam nos mesmos 10% a 20% de sempre.
A leitura que faço disto é simples. Nos concelhos que mais subiram, a procura veio sobretudo de quem precisava de um preço mais baixo, e por isso a diferença face à capital encurtou. Em Oeiras a procura vem de quem escolhe o concelho pelo que ele é: a frente ribeirinha, o emprego qualificado do eixo empresarial, as escolas, a linha de Cascais. É uma base de preço que se sustenta sozinha, e é isso que interessa a quem tem aqui património.
O segundo sinal veio do lado da oferta, e este confesso que não esperava tão marcado: Lisboa cortou o pipeline residencial em 42% face ao ritmo de 2025, enquanto Oeiras submeteu a licenciamento 620 fogos em seis meses, mais 46% do que a média semestral do ano passado. Com juros a subir, ninguém mete capital num terreno onde duvida da venda.
Este documento é, no fundo, o material que já consulto para trabalhar. Passei a organizá-lo e a enviá-lo porque me apareciam demasiadas conversas sobre preços baseadas no que o vizinho disse que pediu, e isso costuma sair caro a quem vende.
Nas páginas seguintes: primeiro o preço de Oeiras dentro da região, com a conversão do metro quadrado em euros por tipologia; depois o enquadramento nacional, incluindo crédito e rentabilidade do arrendamento, a seguir a nova construção e o efeito que ela tem nas referências locais. O último capítulo é opinião minha, e está identificado como tal.
Preço médio de transação por concelho, 1.º trim. 2026. A hierarquia lê-se de cima para baixo e é estável há anos. O que anda depressa é a velocidade a que cada degrau se move, e isso vê-se na página a seguir.
Fonte: SIR, Sistema de Informação Residencial · preço médio €/m², 1.º trim. 2026 · via Confidencial Imobiliário · © IMOESTATÍSTICA, todos os direitos reservados.
O mesmo, em euros. O metro quadrado serve para comparar concelhos, mas não é o número que aparece na escritura. Aplicando as áreas médias por tipologia aos valores de Oeiras, um T2 de 88 m² fica hoje em cerca de 423.000 € e um T3 de 118 m² em cerca de 567.000 €. O mesmo T3 custaria perto de 695.000 € em Lisboa e 615.000 € em Cascais.
Com a valorização de 17,4% do último ano, esse T3 vale hoje cerca de 84.000 € mais do que valia em 2025, sem que o proprietário tenha feito obra nenhuma. É o tipo de número que só aparece quando se vai vender.
| Tipologia em Oeiras | Área média | Valor estimado |
|---|---|---|
| T0 / T1 | 57 m² | 274.000 € |
| T2 | 88 m² | 423.000 € |
| T3 | 118 m² | 567.000 € |
| T4 ou superior | 159 m² | 764.000 € |
Estimativa própria: preço médio de Oeiras (4.802 €/m², SIR) aplicado às áreas médias por tipologia de Portugal Continental (SIR, maio 2026). Valor indicativo, não substitui avaliação.
A coroa imediata de Lisboa passou de 42%/51% abaixo da capital em 2024 para 39%/43% em 2026. Oeiras e Cascais continuam entre 10% e 20% abaixo, praticamente onde estavam.
Moita +35,6%, Seixal e Montijo acima de 31%, Sintra +28,3%, Amadora +23,4%. Oeiras, com +17,4%, e Lisboa, com +14,8%, ficam na cauda da região. São mercados já maduros, e a base de onde partem é outra.
O país entrou em 2026 a vender menos casas e a subir preços, e no 2.º trimestre voltou a vender. As rendas, entretanto, corrigiram, e é essa combinação que mexe com as contas de quem arrenda.
Fonte: SIR · €/m² médio, 2.º trim. 2026.
4.802 €/m² em Oeiras compara com 3.263 €/m² no país e 4.026 €/m² na AM Lisboa: um prémio de 47% sobre a média nacional e de 19% sobre a média metropolitana. Pelo INE, que trabalha com medianas de escritura, Oeiras é o 3.º município mais caro de Portugal, a 4.225 €/m² no 4.º trim. de 2025, atrás de Lisboa (5.198 €) e Cascais (4.654 €) no mesmo trimestre.
A conta de quem tem casa arrendada aqui
Aplicando a yield bruta da AM Lisboa (5,5%) ao valor de cada tipologia em Oeiras, chega-se à renda que corresponde ao que o imóvel vale hoje.
| Ativo em Oeiras | Valor estimado | Renda a 5,5% |
|---|---|---|
| T1 · 57 m² | 274.000 € | 1.255 €/mês |
| T2 · 88 m² | 423.000 € | 1.940 €/mês |
| T3 · 118 m² | 567.000 € | 2.600 €/mês |
Estimativa própria: yield bruta da AM Lisboa (5,5%, 1.º trim. 2026) aplicada ao preço médio de Oeiras. Yield bruta, antes de IMI, condomínio, IRS e vacância.
O manual diz que juros mais altos empurram as yields para cima. Aconteceu o contrário: as rendas corrigiram e os preços subiram 14,8% em Lisboa, e o investidor tem aceitado menos rendimento porque conta com a valorização. Na prática, um contrato assinado em 2021 e nunca revisto hoje quase sempre a render menos de 3% sobre o valor atual do imóvel.
Pedidos de licenciamento de novos fogos no primeiro semestre de 2026, comparados com o ritmo semestral de 2025. A região cresceu 10%, mas o crescimento veio todo de fora da capital.
| Concelho | Fogos · 1.º sem. 2026 | vs. ritmo 2025 | Preço da habitação nova |
|---|---|---|---|
| Lisboa | 1.240 | -42% | 7.367 €/m² |
| Loures | 1.100 | +46% | 4.468 €/m² |
| Sintra | 800 | +40% | -37% vs Lisboa |
| Oeiras | 620 | +46% | 6.085 €/m² |
| Seixal | ~600 | a acelerar | — |
| Montijo | ~600 | a acelerar | — |
| Amadora | 530 | mais do dobro | 4.322 €/m² |
| Odivelas | 190 | +40% | -53% vs Lisboa |
| Total AM Lisboa | 8.700 | +10% | 21% do pipeline nacional |
Fonte: Pipeline Imobiliário CI/ADENE, apurado por pré-certificados energéticos · preços de habitação nova: SIR, 2.º trim. 2026.
Habitação nova em Oeiras está a vender a 6.085 €/m², e isso puxa a referência do usado bem localizado e com boa eficiência energética. Quando o empreendimento do outro lado da rua pede 6.000 €, é difícil defender que o apartamento cuidado ao lado valha 4.800 €.
O outro lado da moeda são esses 620 fogos que entraram em licenciamento. Não chegam todos ao mercado, a CI documenta que apenas cerca de 57% dos fogos projetados avançam para obra, e a parte que avançar começa a ser entregue entre 2027 e 2028. Ainda assim, é oferta nova a competir com o usado equivalente, e quem vende antes dela tem o mercado mais livre.
O IVA a 6% na construção e a simplificação do licenciamento foram aprovados e são medidas que o sector pedia há anos. Os próprios promotores, inquiridos no Investment Property Survey, dizem que não chegam para baixar preços: o que se ganha aí perde-se no custo de construção e no preço dos terrenos.
No país entraram em licenciamento 40.700 fogos no primeiro semestre, dos quais a região de Lisboa fica com 21%. E continuam a ser sobretudo projectos de gama alta, o que é a razão pela qual não conto com alívio de preço nos próximos dois anos.
É o que significa a valorização de 17,4% num T3 de 118 m² em Oeiras: passou de cerca de 483.000 € para 567.000 € em doze meses, sem uma obra feita. Só que este ganho existe no papel até ao dia em que se vende. Quem vendeu em 2025 deixou-o na mesa, e a subida já está a abrandar em toda a região.
Os 620 fogos que entraram em licenciamento no primeiro semestre não chegam todos ao mercado, e nem chegam já: só cerca de 57% dos fogos projetados avançam para obra. A parte que avançar começa a ser entregue entre 2027 e 2028, com garantia e certificado energético A, a competir com o usado equivalente. Não é urgência inventada, é calendário: quem colocar à venda este ano tem menos concorrência do que terá então.
Com o price gap nacional em -8,3%, o mais baixo da série, quem pede um valor certo fecha perto dele. Quem pede acima vê o anúncio envelhecer e acaba a descer mais do que o erro inicial. O tempo médio de absorção na região é de cinco meses. Passados esses cinco meses, na minha experiência o problema está no preço e não na procura.
Com yields de 5,5% na região e o valor dos imóveis a subir mais depressa do que as rendas, muitos contratos antigos estão a render 3% ou menos sobre o valor de hoje. Pode fazer sentido manter assim, há inquilinos que valem a diferença. Mas convém ser uma decisão, e não distração.
A Euribor a 12 meses está em 2,898% e as prestações subiram, mas as transacções cresceram 7% no trimestre e o crédito à habitação 7% até maio. Quem está à espera de uma descida para comprar em Oeiras está a apostar contra um défice estimado de 293 mil fogos, e nos últimos três anos essa aposta correu mal.
Nada disto decide nada sozinho. Um concelho é uma média, e a sua casa tem rua, andar, exposição e prazo. É aí que a conversa começa a valer algo.
Tudo o que leu até aqui é o mercado. O que interessa a seguir é o seu imóvel: a rua, o andar, a exposição, o estado e o prazo em que quer decidir. É esse trabalho que faço, e faço-o com os mesmos dados deste relatório aplicados ao caso concreto.
Levo os valores efetivamente escriturados na sua zona, não a média do concelho nem o que os portais pedem. Recebe o intervalo de preço defensável e os comparáveis que o sustentam.
Preço de entrada, momento de colocação e posicionamento face à nova oferta que chega a partir de 2027. Com cinco meses de absorção média na região, a primeira decisão de preço é a que pesa mais.
Comparo a renda que o imóvel gera hoje com a yield de mercado e com o valor de venda atual, para que a decisão seja tomada com números e não por inércia.
Basta a morada e a tipologia. Devolvo a posição do seu imóvel dentro destes números, com os comparáveis que usei e o raciocínio explicado, para que possa discordar de mim com base em algo. Sem compromisso, e sem insistência se não for o momento.
Falar sobre o seu imóvel →Muitos proprietários em Oeiras não sabem que o valor da casa subiu 17,4% no último ano, nem que a nova oferta começa a chegar entre 2027 e 2028. Se este relatório for útil a alguém do concelho, reenvie.
A distribuição é privada e feita por mim, a clientes e a proprietários do concelho.
Preços, transações e absorção: SIR, Sistema de Informação Residencial, que agrega as principais redes e promotores. SIR e Pipeline Imobiliário © IMOESTATÍSTICA, todos os direitos reservados. Valorização: Índice de Preços Residenciais e Índice de Rendas Residenciais da Confidencial Imobiliário, que isolam o efeito de recomposição do mercado.
Medianas oficiais: INE, Estatísticas de Preços da Habitação ao Nível Local, com base em escrituras. Sendo medianas, ficam naturalmente abaixo das médias do SIR.
Nova oferta: Pipeline Imobiliário CI/ADENE, apurado por pré-certificados energéticos.
Contexto do sector: Investment Property Survey e Portuguese Housing Market Survey RICS/Ci, maio de 2026. Crédito: Euribor a 8 de agosto de 2026 e Banco de Portugal.
Leitura de terreno: relatórios internos de mercado da Keller Williams Portugal e o registo da minha própria carteira no concelho, usados para validar tempos de venda e margens de negociação por zona. Dados de venda até ao 2.º trimestre de 2026; arrendamento, yields e pipeline até junho de 2026.
Estimativas próprias: os valores por fogo e as rendas de referência das páginas 3 e 4 são meus, aplicando preços médios e yields regionais às áreas médias por tipologia. Servem para dar escala e não substituem uma avaliação ao imóvel concreto.